segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Era uma vez, um projeto de abastecimento... (parte I)

"Pessoal, não deixem pra fazer em cima da hora, porque o trabalho é grande". Essa foi a primeira advertência do professor Marcos. Um cara gente boa, que não aparenta mais do que 40 anos, mas que pela experiência pode ter mais. Ele brinca, pertuba, faz uma sintonia legal com a turma, mas é irredutível quando o assunto é avaliação da aprendizagem. Esse projeto era nossa avaliação. Exigia de nós não apenas  o conhecimento adquirido na disciplina, mas tudo o que haviámos visto até então.

Dois meses depois: "Pessoal, ninguém me procurou ainda pra tirar dúvidas sobre o projeto. Se liguem." Essa foi nossa segunda advertência. Mas, quem é que liga pra advertências? Afinal, já estávamos no quinto período. Éramos experientes, serenos, sabíamos as consequências de,nossos atos. Além do mais, já éramos aclamados como melhor turma de toda a história do curso. "Seus trabalhos são bons", disseram muitas vezes alguns professores. Acho que esse foi nosso maior erro: sermos enganados pelos elogios. O orgulho é uma fraqueza humana.

Quatro meses depois da primeira advertência, estando cansado por conta de um dia inteiro de aulas, e já celebrando o término da última aula, ás 22hs, apreciando a noite calma, e sentindo a brisa no rosto, eis que escuto uma voz: "Eita peste. Todo mundo se fissurou" (porque, como eu havia dito na outra postagem, fudeu é uma palavra muito feia). Segui a voz e tentei, quase que instantaneamente,  reconhecer o locutor da frase impropéria. Ao mesmo tempo que decodificava a voz, virei-me para trás e visualizei aquela figura única (não pretendo dizer quem foi...), que punha nos outros uma qualidade que era dela: o conformismo. Não me demorei a saber o porquê de toda aquela estravagância nos argumentos, afinal, ela não tinha muita coisa a dizer, pelo menos não algo que me fosse interessar. Daí, enquanto seguia à minha casa, acompahando pelos meus pensamentos, um deles toma a cena: mas será que o projeto é tão difícil assim, para que aquela pessoa diga que todos estamos em maus lençóis? Já havia ouvido muito essas afirmações em outras paragens, e depois vi que, através de uma reflexão atenta e trabalho duro, todos esses falsos obstáculos sumiam. Meu espírito não se impacientou e continuei a desfrutar da noite, das ruas desertas, da reclamação das árvores quando o vento as sacudia, eu era um com o ambiente... a paz reinava.

No dia seguinte, acordo com vontade de averiguar até onde as afirmações da noite anterior estavam certas. Abro minha pasta azul, sempre tão delicada e valente. Minha parceira de guerra. Recolhi todo o material que tinha da disciplina. Folhas e mais folhas. Gráficos. Fórmulas. Tabela de diâmetro de tubulação. Tabela de coeficiente de perda de carga. Malha de abastecimento. Nós (substantivo). Finais de trecho. Reservatório. Não posso negar que, dessa vez, algo havia me abalado. Disse comigo mesmo: "Todo problema pode ser dividido em partes. Todo problema tem solução. Tenho que encarar". São nesses momentos que fico feliz em conhecer um pouco de Descartes. Quem disse que o cartesianismo é algo ruim? Na mesma hora ligo pa Ivan (se não me falha a memória) e divido com ele minha angústia.

-Ivan, lembra do trabalho de Marcos? Em que etapa você está?
-Rapaz...... o meu trabalho tá travado, e o seu?
-Somos dois.
-kkkkkkkkkkkkkkk

No mesmo dia, à noite, encontro com Alan e Mércia. Nós discutimos os rumos que tomaríamos. Certo que o trabalho é individual, mas poderíamos nos ajudar em algumas etapas. Decidimos nos encontrar na casa de Ivan no domingo.  Mércia não vai. Ficamos eu, Ivan e Alan. Minha rede estava pronta, e com algum conhecimento mais adiantado, embora eu achasse que aquilo que eu possuia estava muito aquém do desejado, decidimos que todos faríamos os desenhos essenciais ao trabalho. Naquela tarde, fizemos mágica: fizemos com que duas folhas do tipo A1 coubessem no tampo de uma mesa de 6 lugares. Para ter uma idéia, se colocássemos uma folha A1 centralizada no tampo da mesa, só restaria 1 cm de cada lado, entre o papel e a mesa; mas, nesse dia, couberam 2 folhas. O que não fazemos quando o desespero nos consome? Houdini está presente em cada um de nós.
Contas e mais contas, linhas paralelas e horizontais - transversais também, quando errávamos -. Uma parte da manhã e toda a tarde num ritmo alucinante: pega esquadro, alinha com o outro, traça a reta, reta errada, conserta, mais uma vez, traça a reta, traça uma perpendicular, pega a lapiseira 0.9 da Pentel, pega a 0.5, acabaram as pontas, pega um lápis comum mesmo, faz um nó, faz um fim de trecho, desenha a direção do fluxo, numera rede, a rede e o fluxo estão errados, refaz tudo, nervosismo, tensão, xingamentos, as nossas mães sofrem (um pouco de exagero). Então, Alan pára e diz: "Rapazzzzz, lembra daquela mina?".Como assim, mina? Penso eu. Eu bóio. Alan continua: "Aquela que eu tava afim, e que uma gatinha...". Finalmente alguém quebra o nosso ritmo. Já me sentia afogado nisso tudo. A conversa rende. Passamos de relacionamento amorosos a um livrinho que Alan encontrou, na livraria, falando sobre como ser bem sucedido finaceiramente.
Olhamos para os rostos suados e cansados de cada um. Verificamos o que foi feito.

-Ivan, nos superamos - faço questão de dizer.
-É velho, nada que esforço não resolva. Você viu que com certa organização a gente produziu algo. - Ivan responde.
-Rapazzzzz, tá vendo que nem é tão bicho-de-sete-cabeças assim. essa galera não sabe fazer os esquema e fica com enxame. - Alan fala, com seu estilo sempre inconfundivel.

Enrolamos as folhas de A1, guardamos os cadernos. Nos espreguiçamos. Os ossos estralam - estão revoltos com nossa postura muito curvado durante toda a tarde. Vamos para o quintal da casa de Ivan e conversamos. Todos cansados, mas com a sensação de gratificação.

Pra acompanhar essa aventura, fique de olho nas futuras postagens.

2 comentários:

  1. quero dizer que o prof falava todas as aulas, que nao eram poucas rsrsrs

    e que a minha pessoa que nao tinha muita coisa pra fazer, seguir os conselhos do prof e fiz o trab de acordo com que o prof passava.
    enfim em um belo dia que nao lembro qual foi rsrsrs pergunto ao Sr DIego se ele ja tinha numerados os trechos, ai diego responde com toda a tranquilidade que ainda nao tinha comprado o papel vegetall kakaka . Isso eu ja tinha feito e refeito umas 3 vezes.

    concerteza nao foi por falta de aviso mas vcs mais uma vez provaram que tudo é possivel so basta querer xD

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  2. Lays... só pra reforçar, a pessoa que eu citei no texto não é vc, viu?! rs

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