sábado, 19 de dezembro de 2009

Era uma vez, um projeto de abastecimento... (parte III)

São 12hrs. Olho para os lados e o que vejo não me agrada muito. Ivan está com a face borrada pelo suor, misturado com um tanto de ansiedade e desespero. Alan tenta permanecer calmo, mas diante das circunstâncias, isso se torna impossível. Erick, talvez a figura mais exótica do grupo, parece desajeitado com seu corpo. Encaro aquilo como se a alma dele fosse muito grande para o corpo. Ele, sentado em uma cadeira muito pequena para a acomodação perfeita do seu corpo, tem suas mãos levadas à cabeça. Eu, que não saía do contexto, permanecia inquieto numa cadeira, enquanto tentava ajudar o pessoal em alguma coisa. Mércia havia ligado minutos antes e disse estar em casa fazendo o trabalho.
Do nada...

- Essa porra!! Agora a gente vai comer!
-É isso aí - concorda Ivan.
-Até eu tô nessa - falo, concordando com os dois.
- É nessa, véi. (Alan) - será que eu preciso mesmo identificar as falas de alan?

A pequena cadela de Erick (ironia) nos faz companhia. Ela brinca uma brincadeira de mal gosto: de degustar nossas mãos. Aliás, se nós cinco colocarmos as mãos na boca da inocente cadela, aposto que ainda sobra espaço lá dentro pra dois gatos e um coelho.
Durante o almoço, discutimos muitas coisas sérias e que vinham a calhar...

-Alan, viu aquela reportagem do cara que matou a esposa e a filha, cortou os ossos e deixou tudo num matagal? (Diego)
-Rapazzz, foi?? Vi não. Mas você viu o que os caras fazem no exército, em sobrevivência?
-Tô por fora, véi.
- É assim - alan explica os procedimentos. Ele se empolga quando o assunto é sobrevivência, mulher e afins...

Enquanto falamos, Ivan e Erick já deviam estar no terceiro ou quarto prato. A televisão, na cozinha, nos mostrava alguma coisa sobre cavernas em Sergipe. Era mais uma daquelas programações locais que nos tenta convencer sobre a importância de nossa "terra".
- Pronto!!!! Agora vamos ao trabalho.- diz Erick, mas não saberia identificar se motivado por amor ao conhecimento ou pelo medo de um desastroso zero.
- Já? Poxa.. só 3 minutinho de sono - eu falo. Com certeza motivado pelo sono pós almoço.

Quando chego no quarto, onde estávamos fazendo o trabalho, tento fazer algo engraçado: adianto o relógio do pc em uma hora. Queria dar susto em alguém. Pro meu azar, Alan descobre tudo, e meu ar de comediante vai por água a baixo. Às vezes eu gostaria que ele fosse menos esperto.
Contiuamos em ritmo alucinante até às 22, mas não tenho certeza quanto ao horário.


*Isso tudo acontece no sábado... as aventuras do domingo, contaremos em outro post.

Era uma vez, um projeto de abastecimento... (parte II)

Os eventos que serão narrados a seguir foram baseados em fatos reais, e ocorreram em algum momento de 2009, em um sábado e domingo, antes da entrega do projeto de Abasteciento de Água que deveria ser efetuada na segunda-feira.

Muitos dias após a primeira reunião (descrita no post anterior), e pouco antes da catástrofe que seria a não entrega do trabalho, eu, Ivan, Alan e Mércia, nos isolamos do mundo em uma noite de lua cheia, vestimos nossos trajes cerimoniais, acendemos a fogueira no centro do quadrado (era pra seru um pentagrama, mas somos apenas quatro, pra nossa infelicidade.  Falhamos seriamente em não ter agregado outro componente ao grupo. No entanto, isso é apenas detalhe...), sentamos e iniciamos as conjurações necessárias; afinal, era preciso ligar-nos ao grande ente administrador da vida (necessitávamos urgentemente de uma entidade superior, e se não existisse, nós certamente teríamos criado uma). Feito isso, discutimos.

- Ivan, eu tenho o sentimento de que algo está errado
-É?
-É.
- O que foi?
-É justamente isso Ivan. Não foi. O trabalho da gente não foi.
-Não foi?
-Sim. Não foi nem está sendo. É o início, mas sem meio e fim. Entende?
- Essa é sua forma de dizer que quer fazer o trabalho, Diego?
-Justamente isso.
- Cri, cri,cri (Mércia)
- Véi, o negócio é a gente marcar de fazer o trabalho na casa de alguém. Em pouco tempo a gente faz isso. (Alan)
- Alan, eu não tenho tanta certeza assim não (Diego)
- Rapazzz, eu acho que vou desistir - fala Ivan com certo desânimo.
-Ivan, o importante é como guerreamos e não o resultado da guerra, lembre-se disso - eu retruco, em um misto de bronca e esperança.

Um tempo depois da conversa, chega-nos a informação que Erick, amigo nosso, está no mesmo barco. Bom marinheiro que ele é, decide, junto conosco, levantar âncora e sair do porto com nosso barquinho. Não temos outra opção, e ficou decidido que no sábado terminaríamos todo trabalho. (Bem que eu falei que achar o quinto componente não seria problema... agora podemos, sim, formar um pentagrama com uma fogueira no centro).
Já no sábado pela manhã, passo na casa de Ivan e de lá vamos, de carro, pra casa do nosso amigo Erick. Esperamos Alan no ponto combinado. Ele não chega. Continuamos nosso caminho.
Depois de Ivan ter invadido uma contra-mão pra poupar tempo, chegamos no destino. No início, todos calmos. Esperamos Alan chegar, então:

-Como todos já estão aqui, proponho que façamos uma avaliação de nossa situação no trabalho. Assim cada um vai dizendo o que falta e a gente vai fazendo. E ái, o que vcs acham?
- Ah, isso é fácil. A gente pode começar do zero, então? (Erick)
-Porra, vc tá no zero ainda? - falo, surpreso.
- É onda. Relaxe. (Erick)
- Ah bom. Mais uma dessas eu eu desmaio aqui de susto.









quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

onde é que a gente tá?


não sei porque, mas adoro essa foto.
acho até que é exatamente por isso que não vou falar nada. a imagem fala sozinha, sem necessidade de traduções...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Era uma vez, um projeto de abastecimento... (parte I)

"Pessoal, não deixem pra fazer em cima da hora, porque o trabalho é grande". Essa foi a primeira advertência do professor Marcos. Um cara gente boa, que não aparenta mais do que 40 anos, mas que pela experiência pode ter mais. Ele brinca, pertuba, faz uma sintonia legal com a turma, mas é irredutível quando o assunto é avaliação da aprendizagem. Esse projeto era nossa avaliação. Exigia de nós não apenas  o conhecimento adquirido na disciplina, mas tudo o que haviámos visto até então.

Dois meses depois: "Pessoal, ninguém me procurou ainda pra tirar dúvidas sobre o projeto. Se liguem." Essa foi nossa segunda advertência. Mas, quem é que liga pra advertências? Afinal, já estávamos no quinto período. Éramos experientes, serenos, sabíamos as consequências de,nossos atos. Além do mais, já éramos aclamados como melhor turma de toda a história do curso. "Seus trabalhos são bons", disseram muitas vezes alguns professores. Acho que esse foi nosso maior erro: sermos enganados pelos elogios. O orgulho é uma fraqueza humana.

Quatro meses depois da primeira advertência, estando cansado por conta de um dia inteiro de aulas, e já celebrando o término da última aula, ás 22hs, apreciando a noite calma, e sentindo a brisa no rosto, eis que escuto uma voz: "Eita peste. Todo mundo se fissurou" (porque, como eu havia dito na outra postagem, fudeu é uma palavra muito feia). Segui a voz e tentei, quase que instantaneamente,  reconhecer o locutor da frase impropéria. Ao mesmo tempo que decodificava a voz, virei-me para trás e visualizei aquela figura única (não pretendo dizer quem foi...), que punha nos outros uma qualidade que era dela: o conformismo. Não me demorei a saber o porquê de toda aquela estravagância nos argumentos, afinal, ela não tinha muita coisa a dizer, pelo menos não algo que me fosse interessar. Daí, enquanto seguia à minha casa, acompahando pelos meus pensamentos, um deles toma a cena: mas será que o projeto é tão difícil assim, para que aquela pessoa diga que todos estamos em maus lençóis? Já havia ouvido muito essas afirmações em outras paragens, e depois vi que, através de uma reflexão atenta e trabalho duro, todos esses falsos obstáculos sumiam. Meu espírito não se impacientou e continuei a desfrutar da noite, das ruas desertas, da reclamação das árvores quando o vento as sacudia, eu era um com o ambiente... a paz reinava.

No dia seguinte, acordo com vontade de averiguar até onde as afirmações da noite anterior estavam certas. Abro minha pasta azul, sempre tão delicada e valente. Minha parceira de guerra. Recolhi todo o material que tinha da disciplina. Folhas e mais folhas. Gráficos. Fórmulas. Tabela de diâmetro de tubulação. Tabela de coeficiente de perda de carga. Malha de abastecimento. Nós (substantivo). Finais de trecho. Reservatório. Não posso negar que, dessa vez, algo havia me abalado. Disse comigo mesmo: "Todo problema pode ser dividido em partes. Todo problema tem solução. Tenho que encarar". São nesses momentos que fico feliz em conhecer um pouco de Descartes. Quem disse que o cartesianismo é algo ruim? Na mesma hora ligo pa Ivan (se não me falha a memória) e divido com ele minha angústia.

-Ivan, lembra do trabalho de Marcos? Em que etapa você está?
-Rapaz...... o meu trabalho tá travado, e o seu?
-Somos dois.
-kkkkkkkkkkkkkkk

No mesmo dia, à noite, encontro com Alan e Mércia. Nós discutimos os rumos que tomaríamos. Certo que o trabalho é individual, mas poderíamos nos ajudar em algumas etapas. Decidimos nos encontrar na casa de Ivan no domingo.  Mércia não vai. Ficamos eu, Ivan e Alan. Minha rede estava pronta, e com algum conhecimento mais adiantado, embora eu achasse que aquilo que eu possuia estava muito aquém do desejado, decidimos que todos faríamos os desenhos essenciais ao trabalho. Naquela tarde, fizemos mágica: fizemos com que duas folhas do tipo A1 coubessem no tampo de uma mesa de 6 lugares. Para ter uma idéia, se colocássemos uma folha A1 centralizada no tampo da mesa, só restaria 1 cm de cada lado, entre o papel e a mesa; mas, nesse dia, couberam 2 folhas. O que não fazemos quando o desespero nos consome? Houdini está presente em cada um de nós.
Contas e mais contas, linhas paralelas e horizontais - transversais também, quando errávamos -. Uma parte da manhã e toda a tarde num ritmo alucinante: pega esquadro, alinha com o outro, traça a reta, reta errada, conserta, mais uma vez, traça a reta, traça uma perpendicular, pega a lapiseira 0.9 da Pentel, pega a 0.5, acabaram as pontas, pega um lápis comum mesmo, faz um nó, faz um fim de trecho, desenha a direção do fluxo, numera rede, a rede e o fluxo estão errados, refaz tudo, nervosismo, tensão, xingamentos, as nossas mães sofrem (um pouco de exagero). Então, Alan pára e diz: "Rapazzzzz, lembra daquela mina?".Como assim, mina? Penso eu. Eu bóio. Alan continua: "Aquela que eu tava afim, e que uma gatinha...". Finalmente alguém quebra o nosso ritmo. Já me sentia afogado nisso tudo. A conversa rende. Passamos de relacionamento amorosos a um livrinho que Alan encontrou, na livraria, falando sobre como ser bem sucedido finaceiramente.
Olhamos para os rostos suados e cansados de cada um. Verificamos o que foi feito.

-Ivan, nos superamos - faço questão de dizer.
-É velho, nada que esforço não resolva. Você viu que com certa organização a gente produziu algo. - Ivan responde.
-Rapazzzzz, tá vendo que nem é tão bicho-de-sete-cabeças assim. essa galera não sabe fazer os esquema e fica com enxame. - Alan fala, com seu estilo sempre inconfundivel.

Enrolamos as folhas de A1, guardamos os cadernos. Nos espreguiçamos. Os ossos estralam - estão revoltos com nossa postura muito curvado durante toda a tarde. Vamos para o quintal da casa de Ivan e conversamos. Todos cansados, mas com a sensação de gratificação.

Pra acompanhar essa aventura, fique de olho nas futuras postagens.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No final das contas, nosso trabalho sobre lixo não foi um lixo


Essa é quente! E Escrevo agora porque as lembranças ainda estão recentes e as expressões dos rostos, as palavras ditas, e os olhares inquietos reverberam em minha mente.

Tivemos quase 1 mês pra fazermos o trabalho. Caramba... tivemos isso tudo? rs. Mas era sempre um laissez-faire, era sempre a conversa do zen, do fluxo da vida. Era sempre um "eu to trabalhando" (Ivan); "eu to estudando pra carai, véi" (Diego); "rapazzzz.... eu tenho umas paradas aí pra resolver" (Alan); "eu num to com saco pra isso hoje não" (Mércia). Aí a coisa foi indo, indo, indo...
No msn, no dia 02 (detalhe: dia de nossa apresentação e ninguém sabia de nada. mas a gente tinha que apresentar, é óbvio), aconteceu algo mais ou menos assim entre mim e Ivan:

- Ivan, e o nosso trabalho, como está indo?
-Diego, boa pergunta. Alan disse que ia fazer.
- Alan?
- Ele vai fazer o artigo e a apresentação.
- Ivan, eu acho que o trabalho é pra hj.
-Eu tenho certeza que é pra hj.
-Certeza?
-Sim
-Eu tenho outra certeza. Ivan.
-Qual
- A gente tá fissurado (pra não dizer lascado e nem fudido, pq é feio).
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Fique tranquilo.
-Eu estou tranquilo... e meu toba tbm.
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Duas horas depois.
-Ivan, Alan deu notícias?
-Não
-Podemos nos considerar lascados jah?
-Rapaz, tenha paciencia.

Às 16hs
-Ivan, e aí?
-Nada.
-Ivan, eu vou fazer alguma coisa. A gente tem que explicar alguma coisa. Eu vou misturar tudo com o que a gente aprendeu nesses três anos. Não é possível que depois de três anos de curso a gente não tenha nada pra armengar e fazer uma apresentação de 20 min.
- Beleza.
-Vou escrever, depois eu te mando.

Às 17:45 ( A aula ia começar às 18:30)
-Caraiiiiii, ficou massa. Vou mandar pra vc Ivan.
-Mande porque eu jah to saindo aqui do trabalho.

Já no Cefet, às 19hs, eu entro na sala. Desesperadamente procuro algum rosto familiar: "Cadê Ivan, Mércia, Alan, Erick?". Pra minha sorte, vejo Ivan. Olho pra ele como quem diz: "E aí, cadê Alan com nosso trabalho?". Ele parece um psicólogo nato e desvenda tudo o que eu quero dizer.
- Sente aí (ivan).
E eu penso; agora estamos oficialmente lascados. Eu nunca ouvi uma otícia boa estando sentado, são sempre as ruins.
- Cadê Alan? (Afinal, ele podia estar no banheiro ou em qualquer outro lugar)
-Chegou ainda não.
Nessa altura o primeiro grupo já estava apresentando, e o nosso - detalhe - era o próximo. Me conformei. Pensei comigo mesmo, "o que vale é a luta e não o resultado da guerra. Já estou aqui mesmo. Pelo menos eu tenho a conclusão". Enquanto pensava, acariciava gentilmente as três laudas da conclusão, feitas horas antes, num surto de inspiração e apoio, que creio eu, só poderia ser Divino. Tudo emudece. Só estão ali eu e a conclusão... e meu toba tbm. Ah sim, e a consciência me reprovando e censurando o tempo todo. Foi quando percebi que Ivan me chamava escandalosamente com as mãos (e eu estava do lado dele). Os gesto com as duas mãos, uma fechada e a outra aberta, num movimento de batida e retirada, significava tudo naquela hora. Ia ser o resumo do dia. Era a sentença. Ivan tinha perdido as esperanças e eu estava tentando tirar a minha de dentro de algum lugar úmido e sombrio. Mércia, como sempre, jazia em outro planeta... talvez um que não tivesse lixo.
Decido ligar pra Alan.
-Alan, onde vc tá com nosso trabalho. (Quase gritando)
- Tô no ônibus.
- O pessoal jah começou a apresentação
-Beleza.
 -Venha rápido
-É nenhuma.
- Flw
Penso comigo mesmo "legal.. a gente vai apresentar".
40 minutos depois...
-*&#*#*, Ivan, onde foi que o Alan pegou essa *#*#*# de ônibus?
- Acho que o problema é esse: o jegue. Ele deve estar vindo de jegue.
Subitamente olho para os slides do grupo que está apresentando. Está claro, aliás, bemmm claro: eles estão no último slide. Percebo isso pq o título do slide é "Conclusão".
Olho pra Ivan...
-Ivan, a gente consegue. Vc é bom de conversa, se interessa pelo curso, já sabe muita coisa sobre lixo... a gente pode inventar alguma coisa. é sério.
- Rapazzzzzzzzz....
-Deixe de baitolagem, Ivan.
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
-kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (rir é bom nos momentos de desgraça)
- cri-cri-cri-cri-cri (Mércia)

Alan chegou!!!! (Mércia solta uma afirmãção que valeu por todo o seu silêncio anterior)
-Alan, trouxe o trabalho? (Diego)
-Tá aqui mestre.
-Já disse que vc é foda? (no sentido de ser um cara muito bom no que faz)
- hihihihi (com o tom malicioso que só um cara com espírito de Don Juan sabe fazer)
Mércia é meio que invadida por uma onda de energia fabulsa, e quase mágica:
-A gente faz assim Tem 16 slides. Fica 4 pra cada.
Cada um de nós escolheu a parte que tinha maior afinidadr
alan vai até o lap top, encaixa o pen drive, e reproduz a apresentação no data show (parece aula de inglês, mas isso é tecnologia mesmo).
Olhamos um para outro com a cara de: "agora é hora do nosso show"
Ivan começa - uma mistura de tecnico e comediante, violeiro/seresteiro e eng. civil - ; Mércia proseggue - uma mistura de ursinho pooh,  Bela Adormecida, Alice, Patty Maionese, Mulher Maravilha, com surtos de estudante de Saneamento Ambiental -; depois dela, fala Alan: um mix de Don Juan do Sertão, agronomo, eng. florestal, soldado, poeta, político, comediante, filósofo, humanista... sociólogo, antropólogo e outros ólogos (esse cara é muito bom).. entendem agora pq eu disse que ele é foda? Eu finalizei a nossa apresentação.. mas não posso me descrever aqui. Não sou ousado o suficiente.
Enfim, mais uma noite com aventuras do Leão, do Homem-de-Lata e do Espantalho.. e daquela menina que eu sempre esqueço o nome...
A segunda parte dessa mesma noite (aliás, a parte mais interessante e surpreendente, Ivan ccontará).

See you

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Conclusão do Nosso trabalho, do dia 02 de dezembro de 2009


Bom, como prometido, transcrevo aqui a nossa conclusão. Espero que sirva, pelo menos, como uma forma de início para reflexão e para futuros diálogos.


Comecemos nossa conclusão, portanto. Lerei 4 pequenos textos, cada qual com 4 ou 5 linhas e preciso que vocês estejam atentos, e que livrem-se de qualquer pré-conceito, ou conceitos feitos antes da compreensão de um objeto. Ressalto ainda que podem interromper, caso não entendam algo do que eu leia ou converse nesses minutos finais de nossa apresentação. Então, vamos ao primeiro texto:





Por isso se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, e estendeu a sua mão contra ele, e o feriu, de modo que as montanhas tremeram, e os seus cadáveres se fizeram como lixo no meio das ruas; com tudo isto não tornou atrás a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida. (Isaías 5:25)

Sustentados com os resíduos dos sacrifícios, alimento da imortalidade, vão unir-se ao eterno Brahma. Aqueles que não praticam nenhum sacrifício não podem gozar este mundo; como poderão pois, gozar o outro, ó melhor dos kurus? (BHAGAVAD GITA)


Os resíduos sólidos são materiais heterogêneos, (inertes, mineriais e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde publica e economia de recursos naturais. Os resíduos sólidos constituem problemas santário, econômico e principalemnte estético.
Lixo é uma palavra latina (lix) que significa cinza, vinculada às cinzas dos fogões. Segundo Ferreira (1999), lixo é "aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície. Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor". Jardim e Wells (1995, p. 23) definem lixo como "[...] os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis". (MUCELIN; BELLINI, 2008, p. 113)



Acabei de ler quatro trechos que se referem, cada um ao seu modo, a lixo ou RESÍDUO (vocábulo atualmente muito utilizado pelo meio academico e técnico, mas que continua possuindo a mesma natureza). Vale destacar que são nítidas as diferenças entre os dois textos que foram lidos primeiramente e os dois últimos. Não é de se espantar, os tiramos de fontes diferentes, e, aliás, eles também foram escritos em épocas distintas. O primeiro, que talvez vocês reconheçam com maior facilidade, pertence a Bíblia, livro sagrado dos Cristãos; o segundo, que remonta ao século 5 a.C. pertence ao Bhagavad Gita, da grande epopéia indiana Mahâbhârata. Os últimos trechos lidos, por sua vez, foram retirados da internet e de um artigo científico, respectivamente. !!! Ora, ora, ora... estamos aqui hoje falando que lixo é isso, aquilo, ou aquela outra coisa; que devemos fazer isso ou aquilo, que transportamos dessa ou da outra maneira... e a maior parte dos nossos discursos, percebemos, o grupo do qual faço parte e eu, terminam com uma palavra pouco compreendida mas muito em moda: Sensibilização, ou seu equivalente, Conscientização. Diria Lima Barreto, com seu tom sutil e irônico, que as pessoas seguem modas porque não as compreende. (É a velha estória das roupas do rei). Mas estamos aqui muito mais pra aprender, pra ouvir e compartilhar; então propomos, aqui, essa breve discussão dentro da conclusão do nosso trabalho. Afinal, porque discutimos lixo (lixo sim, sem eufemismos baratos ou normas técnicas caracterizadamente mascaradoras)? Como essa discussão pode me atingir? O que era lixo antes de ser “lixo”? E o que é conscientizar as pessoas com educação ambiental?


Voltando aos trechos selecionados, do início do nosso bate-papo, podemos perceber algo (com nossa capacidade do livre raciocínio) que foram elaborados pra objetivos e interlocutores diferentes. Os dois primeiros são muito claramente religiosos ou doutrinários: Não estavam muito preocupados com o lixo em-si, mas com a imagem que isso faz parecer. No primeiro, o lixo não é algo bom, já que Deus nos pode punir colocando defuntos nas ruas. Agora, atentem para esse fato: o lixo, já nesse tempo, era tratado como algo ruim. Era sinal de coisas ruins. Isso não é fantástico? Estamos discutindo algo que já surgia como problema há, pelo menos 2000 anos. E, o quanto avançamos nisso? Quanto desenvolvemos em termos de técnicas, de métodos, de procedimentos?


Partindo para o segundo texto selecionado, vemos um uso diferente, e um tanto quanto bom, no entanto metafórico dos resíduos: “os resíduos dos sacrifícios, alimento da imortalidade”. É poético, e encerra uma visão oposta a que costumamos ter.


Bom, agora vamos ao contra-ponto, que são os dois últimos textos que trouxemos para vocês, e que podem ser considerados contemporâneos. Eles são bem mais familiares. São diretos! Objetivos! Foram formulados através de uma lógica, de um método, de normas que dizem o que é certo e errado! É claro que são esses tipos de palavras que aprendemos aqui. Essas são as palavras que reproduzimos nas provas, que medem nosso grau de “aprendizagem”. Mas observem, e esse é o ponto mais importante de nossa conversa: observem que o nosso curso de Saneamento Ambiental reproduz uma batalha presente desde tempos antigos, mas incorporada no meio científico na década de 70 e 80, quando James Lovelock elaborou sua Hipótese ou Teoria de Gaia, quando dos estudos que estava fazendo para a NASA. Essa hipótese, que estudamos de forma rápida em Ecologia e que e por muitas vezes é citada pelo professor Wellington Villar, diz que todo o planeta é um organismo vivo, com sistemas interatuantes e interdependentes. O esforço todo se resume nisso: informar as pessoas, (primeiramente o meio acadêmico e depois a população), dessa verdade que é dita há anos: se você age inadequadamente, o meio-ambiente responde inadequadamente (inadequadamente para os nossos padrões, frise-se)... e é isso que a educação ambiental tenta fazer. Estabelecer o elo entre os dois textos iniciais e os dois últimos. Percebem? Saímos de um mundo popular (expresso nos textos sagrados) para ir a um mundo tecnicista (Textos científicos) e dele voltamos para o mundo e dizer que o que fazemos é errado. Em outras palavras, é sair de um mundo moderno inventado pelo cartesianismo. Aliás: disse um grande professor: “O cartesianismo é um bicho que teima em morder nossos tornozelos e continuar assim, até que achemos uma coisa melhor”. E, como diria Goethe enfaticamente; “Deus nos livre do sonho de Newton”. Deus nos livre do mundo como o relógio de peças girantes e circuitos simples. Esse, senhores e senhoras, é o nosso porquê dos textos apresentados aqui, nessa breve discussão, ou nessa conversa feita com alguns diálogos.


Mas essa batalha que vivemos hoje não tem nada de inédito. Apesar de termos nomes de grandes soldados em dias atuais, como: Fritjof Capra com sua série de livros que defendem o pensamento sistêmico, em evidência no seu livro a Teia da Vida, o qual tivemos oportunidade de estudar em algum período precedente; o próprio Lovelock; Arne Naess com sua Ecologia Profunda; Bruno Latour com seus questionamentos sobre verdades científicas e teoria do Ator-Rede, temos ainda outros, que me permitam dizer, formam a velha guarda: Thoreau com seu livro Walden; Gandhi, Rosseau, e, não esqueçamos do Chefe Seattle. Assim como os nomes que citamos aqui, lembrem-se das antigas doutrinas: o Budismo, Taoísmo que já tinham em seus discursos essa co-dependência entre humanos e não-humanos.


Em suma, tentar sensibilizar as pessoas que somos parte de uma única cadeia, e que nossas ações diárias repercutem sobre a natureza e sobre nós mesmos, é nossa principal tarefa. Porque a mudança parte de nós... e de nada adiantaria a um Tecnólogo todo seu arcabouço técnico, se ele o adquiriu objetivando unicamente seus desejos. Conscientizar sobre dispor o lixo de tal ou qual forma, de reciclar, reduzir ou reutilizar, de gerenciar o lixo e orientar prefeituras sobre como reagir a toda essa problemática... tudo isso parte de nossa própria capacidade de viver e sentir o mundo como um só ente. Vejamos portanto a técnica sob um olhar humano e menos material. Categorizar o lixo? Saber sua procedência? Sim, isso é bom e é o que aprendemos aqui... mas isso de nada vale sem os princípios éticos que também aprendemos aqui. Ética, eis a palavra que gostaríamos que ficassem com vocês no fim desse palavriado.




Obrigado pela paciência.




*Conclusão do trabalho intitulado "Resíduos Sólidos: definição, origem e classificação" apresentado para avaliação na disciplina de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, apresentado no dia 02/12/2009.