terça-feira, 24 de agosto de 2010

de repente, não mais que de repente...


de repente deu uma saudade... rever as fotografias, lembrar por tudo o que passamos juntos - não que agora estejamos separados, apenas não nos vemos mais com tanta frequencia.
os primeiros contatos - parece até nome de filme - as primeiras impressões geradas, os grandes e importantes achados... o "Quarteto Fantástico". os trabalhos feitos, algumas vezes contra a vontade, confesso.
a ida ao parque da sementeira para fazer trabalho, a chuva juntos...
momentos que ficam pra sempre guardados na memoria.
pequenos momentos, mas que ficarão guardados para toda a vida.

terça-feira, 20 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Crise de identidade


 

Na verdade, tudo começara meio incerto. Ninguém sabia quem era quem naquela grande confusão. Rostos desconhecidos, gestos mais ainda. Quantas histórias podiam ser contadas, quantas mágoas, alegrias, esperanças e desejos.
Mas a massa disforme foi, aos poucos, ganhando contornos bem definidos. Agora as coisas pareciam bem mais agradáveis. Bem, existia o lado ruim: quando algo já está formado não lhe é mais permitida a capacidade de imaginar o que aquele algo se tornará. Talvez esse não tenha sido o grande problema.
Com o passar do tempo, as coisas receberam nome e hierarquia. Não que houvesse um Adão dando nomes a tudo: "aquilo é pedra", "isso é coelho", "aquilo é passarinho"... Não se trata disso. No entanto, existia ali vários Adão"s", classificando tudo segundo suas prioridades e visões de mundo.
Foi numa dessas classificações que me encaixaram como alguma coisa. Bem, eu creio ter sido incluído em alguma, porque eu mesmo classifiquei a todos. Admito que nem todos os rótulos foram bons, e os que foram inicialmente bons, se tornaram ruins, sujeitos a uma nova classificação. Aos poucos, observei que as divisões e hierarquias que eu havia feito precisavam ser mudadas. Pra ser sincero, mudei-as várias vezes...
O fato é que, na nossa última classificação, eu, ao assumir o papel de um Adão sem Eva, cometi o erro de classificar um leão como um gato. Esse foi um baita erro. Antes que vocês me cravem numa cruz, deixem-me explicar... Em primeiro lugar, eu devo me defender partindo de que ambos são mamíferos e felinos. O erro, dependendo de como eu o vi, pode ser até perdoável desse ponto de vista. Em segundo, gostaria de dizer aqui que os dois tem bigodes. Não é lá essas coisas, mas, se você está no escuro e só depende do tato, você deveria saber que esse dado pode ser muito revelador. Em terceiro, ambos têm pêlos, o que é um grande diferencial: se um deles tivesse penas eu não poderia confundi-los. Além dessas, muitas outras semelhanças existem.
Como eu havia falado, o erro foi cometido, mas o detectei a tempo, eu acho. Pensando, descobri os pontos em que eu havia me equivocado. a) O leão, outrora tido como gato, movimentava-se cautelosamente como seu amigo felino doméstico: ninguém sabia ao certo onde ele estava, aos poucos estava ali naquele grupo de animais, ora num outro grupo. b) Os outros animais o respeitavam não porque ele era fofinho (como um gato desses que passa se esfregando na perna da gente), mas porque ele inspirava confiança e respeito. c) O leão que tomei como gato, se via como gato. d) O leão não rugia! Acredita nisso?! Ele não ru-gi-a!
Um dia, muito decepcionado com o erro que cometera, me encontrei com o leão (que eu havia chamado de gato. como eu pude fazer isso?) e me retratei do meu erro. Ele, muito paciente, disse: "Não, não, você não cometeu nenhum equivoco. Eu sou um gato". Calei, encarei-o (com medo, mas encarei). Ele estava muito seguro de que era, de fato, um gato. E, pelo jeito que falava, era um gato siamês.
Me desculpar não era o suficiente. Agora minha tarefa era provar que eu estava certo.
Vários dias eu pensei, pensei, e pensei... Quais provas eu iria mostrar pra um leão que acha que é um gato?
Outro dia, munido dos argumentos necessários, fui lá conversar com ele, que, como sempre, estava no meio dos outros animais... crente que era um gato!
Toquei no ombro e falei-lhe: "Se você é um gato, por que tem juba?" Ele coçou a cabeça, percebeu a juba, olhou pra mim: "Deve ter sido uma anomalia em algum cromossomo". Pensei comigo que ele tinha até contra-argumento na ciência moderna. (Quem disse que a ciência era boa em todas as ocasiões?).
Mas eu tinha um plano B.
"Se voce é um gato, porque seu rabo não é como aquele ali?" - E apontei pra um gato que acabara de entrar numa lata de lixo".
- Problema de infância. É muito traumático falar disso. - Contra isso eu também não tinha nada a declarar. Afinal, se ele não queria falar, não sou eu quem  insistiria.
Eu já estava sem opções. Isso me fazia repensar se eu era mesmo eu.

Depois de algum tempo, cansado de tanto tentar convencer o leão de que ele era um leão, uma grave seca assolou nosso território. Os outros animais já estavam cansados e exaustos. Eu, particularmente, não aguentava me manter alerta por muito tempo. Um outro animalzinho - eu creio que era fêmea, - nem falava mais. Um outro animal, que hoje eu descobri ser um sagüi em risco de extinção, nem mais aparecia por ali. Diziam que, mesmo com toda aquela crise, ele procurava uma parceira pra se reproduzir. O fato é que, só o "gato" conseguia se manter de pé.
No meio desse caos, onde ninguém aguentava mais nada, e vendo seus amigos animais magros, abatidos e beirando a morte, o leão vê, ao longe, um cervo em disparada. O leão corre... e eu creio, hoje, que ele nem pensou em correr, apenas foi.
Ele crava os dentes no pescoço do cervo, e traz a caça para os animais famintos. Estando entre eles, vi ali uma oportunidade de convencer o leão de que ele, de fato, era um leão... meus olhos brilharam com a idéia. Olhei novamente e perguntei: "Vem cá, você já viu algum gato caçando cervo?". Meu argumento era bom. Confesso. Se ele disesse que era uma anomalia herdada, eu poderia apontar para os outros leões que habitam por ali e diria: "Então aqueles caras lá também são gatos, ou eles têm a mesma anomalia genética que você, e nós dois sabemos que mutações genéticas são inespressivas estatísticamente, o que, invalidaria sua resposta...". É, meu argumento era bom. Eu estava prestes a receber um "Sim, eu sou um leão". Afinal, eu sempre tentei comparar ele com ele mesmo, e nunca com outros da espécie... 
Ele coçou a cabeça, olhou para os lados, e me respondeu:
- Devo confessar que nunca vi um gato comendo cervo, mas você ouviu falar daquela história que um gato-selvagem matou um cervo nas bandas de..."

E até hoje eu tento convencê-lo de que ele não é um gato.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como se despedir de um bom amigo: 10 passos


1. Tudo parte da vontade. Se é um amigo mesmo, daqueles que tem um lugar reservado no seu coração, então sua vontade certamente será sincera. A vontade sincera de estar com seu amigo é seu ponto de partida.
2. Juntar-se com os iguais. É preciso, para que uma boa despedida seja feita, que você esteja acompanhado daqueles que partilham do mesmo sentimento. Só assim pode-se comungar e ter uma experiência reveladora. A despedida  é, acima de tudo, um momento de glória, e não apenas de pesar.
3. Jogar-se sem medo. Depois que se toma a iniciativa e juntam-se os iguais, é preciso desapegar-se de todas as convenções sociais e de todas as máscaras. Deixar-se guiar pelos sentimentos é o terceiro passo.
4. Escutar é preciso, falar não é preciso. As coisas ocorrem, simplesmente. Um recorda-se de tal ou qual evento; outro soma a isso um detalhe; outro, ainda, ali no canto, sorri. Todos sorriem. Nesse momento, o silêncio fala e nós os escutamos. O quarto passo refere-se a ouvir até onde as palavras estão ausentes.
5. Ao seu amigo, que desbravará outros horizontes, ofereça tudo o que houver de bom em você. Sinta-se uno. O melhor presente que você pode oferecer é o abraço carinhoso e os braços abertos, ansiosos por recebê-lo de volta.
6. Ter um meio de locomoção adequado. Um carro é bom e facilita muitas coisas. A conversa durante o caminho, para qualquer rumo, é o mais interessante. As piadas, rememorações e coisas sérias que falamos ficam gravadas na gente. Não precisa ser uma Ferrari. O que importa mesmo são as pessoas que estão nele. ( E que ele ande).
7. Tenha pouco ou o suficiente de dinheiro no bolso. As melhores despedidas são aquelas regadas a caldo-de-cana e pastel. Não é necessário mais do que isso. Lembre-se, o que importa nessa ocasião não é seu estômago, mas o pão que se reparte na última "ceia" de vocês. O repartir é a palavra-chave do sétimo passo.
8. Brinque o máximo que você puder. Os sorrisos têm o dom de atenuar dores físicas e emocionais. Não nos deixa, também, cair em lamentações. Se existirem lágrimas, que sejam de tanto sorrir.
9. Toquem as mãos. Façam-se elogios. Abracem-se. Sempre mais uma, duas ou três vezes. Não há quantidade certa pra isso. Apenas faça o que der na telha. (ver o passo número 3)
10. Não siga regras. A amizade não é regida por regras. É algo que acontece. Você não escolhe seus amigos, pelo menos não com tanta acurácia. Eles chegam na sua vida. É isso: eles chegam e você os acolhe ao mesmo tempo em que é acolhido. Amizade não tem barreiras, e, se houvesse, elas seriam facilmente destruídas. A amizade é uma das manifestações da poderosa força construtora do amor.

domingo, 23 de maio de 2010

Eu estava lá.

Eu a tinha notado, cabisbaixa, andando disfarçadamente, como se algo a incomodasse e como se aquilo não devesse incomodar a mais ninguém além dela mesma. Perguntei às outras pessoas que a viam com frequência sobre se a tal fulana não andava meio estranha. Disseram que não. Bem, eu acreditei. Por que duvidaria? Disseram-me que ela mostrava-se feliz como sempre, brindava os velhos amigos e os novoscom a irreverência de sempre.
Devo confessar que ela sempre foi impulsiva. Não hesitava em se mostrar indignada acerca de algo, sem mostrar seu modo de encarar a situação de seu jeito. Peculiar, é claro. Mas não deixava de se mostrar como era - e continua sendo.
Se os outros diziam que ela estava bem, por qual motivo eu deveria me preocupar? Talvez fossem meus olhos os errados. Tantas pessoas - duas ou três, pra ser sincero - falando a mesma coisa, como poderia discordar. O conformismo é mesmo uma praga; saberia tempos depois.
A responsabilidade não me chamava pelo nome. Aliás, ela até chamava, mas num tom ainda ameno. Se ela tivesse gritado, quem sabe eu reagisse de maneira diferente? Às vezes não gostamos de ser reponsáveis pela felicidade de quem gostamos. Eu até sei que existe um limite pra isso, mas essa responsabilidade(palavra longa pra se escrever e complicada de se aceitar) ainda existe. Gostamos de nos entregar, mas não de segurar algo ou alguém que se entregue. O fardo parece pesado demais.
O fato é que ela estava mesmo com algum sofrimento. Um dia a vi, com a expressão de quem sofria terrivelmente. Voltei a perguntar. Disseram que eu havia enxergado demais. Chamei-os de cegos - apenas esbocei umas palavras, meus lábios até se mexeram um pouco, mas o grito foi dado mesmo na minha consciência. Esta já se ocupava de encontrar uma solução: o que deveria ser feito? As pessoas com as mãos amarradas por fios invisíveis. Passou pela cabeça deles, faz-me crer, que ela já tinha havia se tornado um incomodo há muito. Melhor seria livrar-se dela. Indignação. Raiva. Peso na consciência. Meus olhos estavam bons, e eu não havia lhes creditado.
 O problema não é quando não se enxerga, mas quando se enxerga além da capacidade da visão. As visões paralisam a gente.
Recuperado do choque, voltei a encará-la, dizendo em palavras mudas que eu havia finalmente percebido o que deveria ser feito. Pensei ter visto um suspiro de alívio e que ela me dizia: só agora você percebe? 
Chega o momento em que devemos fazer o que deve ser feito, que não necessariamente é o que gostaríamos de fazer. E o pior inimigo do homem é o orgulho que lhe segue, que sufoca...
Levei-a comigo. Os outros ajudaram, não sei se comovidos com minha comoção, mas eles também estavam lá. Eu a vi entrar no consultório.
Eu estava lá, sempre ao seu lado. Minha mente traçara todos os diagnósticos possíveis; desde o intratável tumor maligno, até uma branda tensão por estresse - já fazia algum tempo que a gente não tinha um tempo a sós, talvez isso tivesse desencadeado uma crise de carência aguda, quem sabe?!
Eu estava lá, quando ela suportou duas doses de calmante no primeiro dia. O corpo permanecia forte. Guerreira que é, não cedeu. 
Eu estava lá no segundo dia, quando resistiu às três doses de anestesia. estava lá na primeira dose, na segunda. 
Estava lá quando ela me olhou, e quase me dizia que não ia desistir. Seu orgulho me parecia meio besta num momento daquele, no entanto, aquela era ela. De fato. Mas ela cedeu na terceira.
Eu também estava lá no diagnóstico; era grave, mas poderia ser tratado.
Apesar do menosprezo que temos pelo dinheiro, ele se faz necessário quando a saúde de quem você gosta está em jogo. Nesse jogo, se você dá o que tem, você ganha. Eu não entro em jogo pra perder. Competir só é bom em entrevita de esporte. Estamos aqui, lutando. A vida é um jogo que devemos ganhar.
Ela está bem agora, mais forte, com a expressão de felicidade de sempre - a verdadeira expressão. No entanto, uma pergunta persiste em mim: os cão é o melhor amigo do homem, mas é o homem o melhor amigo do cão?

quarta-feira, 31 de março de 2010

Em Lá, Galileu não seria Galileu

Na terra de lá, as coisas são realmente muito estranhas. Não sei como continuo a me surpreender com isso. Talvez eu seja uma pessoa facilmente impressionável, ou fantisiosa demais. O fato é que eu acabei descobrindo, não sem um empurrão do destino, que em Lá existem várias abelhas-rainhas. Sim, isso mesmo, vá-ri-as! Eu, conformado com a opinião de alguns livros didáticos, quando diziam que uma colméia tinha apenas uma rainha, fiquei revoltado. Bem que eu desconfiava: esses livros didáticos são ultrapassados. Claro. Só pode.
Lá é a prova de que as teorias e observações podem estar muito erradas. Por exemplo, se Newton estivesse no jardim de Lá quando a maçã caiu, ele certamente não teria chegado à teoria da gravidade. Disso eu tenho certeza. A primeira coisa que ele faria era uma teoria político-Marxista sobre como os serventes não fazem o trabalho de poda direito porque a burguesia não os valoriza, etc.
Se Descartes tivesse passado por Lá, ele não teria chegado à conclusão de que "Penso, logo existo". Ele teria, no mínimo, chegado a conclusão de que "Pense muito, e você será o incoveniente". Disso surgiriam várias outras postulados, como: "Divida seu sonho em partes, depois jogue tudo fora", afinal ele não serve pra passar de semestre.
Tabela periódica? Mendeleiv? Se Mendeleiv tivesse estudado em Lá, ele estaria estudando até agora uma disciplina de Cálculo I só porque reprovou trocentas vezes por ser tímido demais pra tirar xerox atrás de 18376483739339 pessoas. Detalhe: todas com pressa.
 E aquela velha história de Galileu, onde ele discordou de Aristóteles ao soltar dois objetos de massas diferentes e ter notado que os dois chegaram ao mesmo tempo no solo? Puts, seria muito diferente se ele tivesse jogado os objetos de cima de um dos prédios de Lá: no meio do percurso algo aconteceria. Por certo, um dos objetos teria que informar qual a finalidade de sua saída de A para B através de um relatório de algumas centenas de palavras, que deve ser entregue no dia X, esperar por "n" dias por uma resposta, e depois encaminhar pra um departamento com siglas indecifráveis. No mínimo Galileu chegaria à conclusão de que dois objetos, quando jogados, se perdem no meio de uma pilha de papel feitos por outros objetos que também queriam chegar até o chão. É, acontece.
  

segunda-feira, 29 de março de 2010

Na terra de Lá, onde as formigas andam separadas e abelha tem casa com parede, cerca viva e jardim.

Hoje, sinto um gosto de noltalgia a me inundar a boca.
Lá não existem Mércias, Ivans, Alans, Valérias, e, até, as perguntas às vezes incovenientes de Laís. Lá não existem essas coisas. Esse Lá é tão distante daqui, que me dá até vertigem falar dele. Mas o Lá está ai  pra  ser falado, e porque me é dado o direito de escrever, eu escrevo. Com um pouco de revolta, nostalgia e medo, é verdade, mesmo assim eu escrevo.
Lá não existe o ritmo cadenciado e malicioso do discurso de um Alan. Aliás, não existe também o dom religioso do Alan que eu conheço. Religioso tendo como base a etimologia própria de religião - religare -, que é unir o que está separado. Lá, não existe esse personagem fabuloso que une as mais diversas coisas em uma fala só. Esse Lá está em uma séria desvantagem.
Lá não existe também, o tom apassivador e conciliador de um leão ímpar, chamado Ivan. Nada disso. Seria até uma afronta ter alguém tão grande assim. Em Lá, não existe espaço suficiente pra um leão, quem dirá um do tamanho de Ivan. Seria quase um sacrilégio!
Se você olhar os cantos de Lá - cantos é que mais tem - você pode ver alguém revoltado com alguma coisa, uma discussão política aqui e ali, alguém insatisfeito com isso e aquilo. No entanto, em Lá, você não vê atitudes meigas como as de uma Mércia. Eu não consigo enxergar em Lá a graciosidade de uma garça em voo. Lá é um lugar chato. As garotas de Lá não sorriem muito. Até sorriem, mas não é a mesma coisa. Se as garotas se sentem incomodadas, elas não sentam no canto e pedem por carinho; elas gritam e esbavejam. Até a raiva que as garotas de Lá sentem é diferente da raiva de uma nossa Mércia, Laís, Valéria, Diandra... Mas, acima de tudo, em Lá, não existe Mércia, o que já é o bastante para dizer que eu não gosto muito.
 Quando eu saía de Lá, até semestre passado, cansado e irritado, e chegava no meu lar (um lar sem cama, cômodo e essas coisas... um lar que é um lugar que a gente pode retornar quando nos sentimos sozinhos. O lar que é, e é apenas porque nossos amigos estão), as coisas pareciam se transformar. As nossas conversas eram revigorantes. Às vezes, eu chegava, e me batia com alguém que chegou antes da hora. Mas na maior parte das vezes, eu era o lobo solitário uivando pra lua até alguém chegar. Lembrando bem, no início, chegávamos eu e Ivan, depois Alan, e, finalmente, Mércia chegava depois de ter ligado e perguntado onde eu estava.
Com o passar do tempo a sala havia metamorfoseado-se em um quarto ou sala-de-estar: abríamos a porta, soltávamos um boa noite e deixávamos  as coisas ali... e, saíamos. As coisas eram assim, familiares.
Em Lá não existe alguém que chegue depois, porque as pessoas nunca esperam umas pelas outras. Em Lá , cada um tem seu propósito, seu ideal. Em lá não existe um lobo que chega antes, nem um que chegue depois. Em Lá, pra se ter uma idéia de como as coisas andam, até as formigas andam individualmente porque não sabem que trabalhar em conjunto é mais proveitoso. Em Lá as abelhas não produzem mel, porque elas não vivem em colméias, e sim em moradias individuais com parede divisória, cerca e jardim! Afinal, é mais confortável. Pois é, em Lá tudo é meio estranho. As pessoas lá em Lá gostam disso. Eu não. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Wilhelm Steinitz Vs. Vishy Anand

Duvido que alguém lembre dessa foto. Éramos 2° período? Nem me importa mais saber o momento exato, mas eu me lembro que a época era muito legal. preocupações fortuitas com provas e trabalhos, e a pausa, para um jogo de xadrez. Olhe só a cara de Ivan!!! O cara tava magro ainda! Ah, Alan não mudou muito (Alan, eu acho que a gente parou no tempo, véi.). 
Muito legal...


Ao pintor dá mais prazer pintar do que terminar o quadro

"Não apenas a prática da amizade antiga e firme traz consigo grande prazer, mas também o início e a conciliação de uma nova. A mesma diferença que há entre o agricultor que ceifa a seara e o que a semeia, existe entre aquele que já conciliou e o que está conciliando um amigo. O filósofo Átalo costumava dizer que é mais agradável fazer do que ter um amigo, "tal como ao pintor dá mais prazer pintar do que terminar o quadro". A atenção dada à pintura a realizar encontra na respectiva ocupação um imenso prazer o qual já não toca tão intensamente o artista quando afasta as mãos da obra terminada. Neste caso ele goza o fruto da sua arte, enquanto pintava, porém, saboreava a própria arte. Se a adolescência dos filhos é mais rica em promessas cumpridas, o certo é que é mais doce a sua infância". (Sêneca)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

somewhere over the rainbow...


pois é.

venho, por meio desta interromper toda uma discussão filosófica (acho que um café seria bem apropriado para tal assunto, mas para mim um capuccino - se não for muito incômodo).

e não, não irei contribuir (até mesmo por ser a única mulher do grupo - me senti o máximo agora, eu sei, perdoem-me se foi demais, mas às vezes necessito alimentar um pouco o meu ego) para toda essa discussão sobre como deve-se ou não conquistar/tratar/amar/viver/adorar/oquevocêsqueiramfazer com uma mulher.

vim hoje, e acho que pela primeira vez utilizando-me de palavras e um post para dar minha contribuição para o nosso blog.

pois bem, caros leitores, amigos, convidados, curiosos... eis aqui que vos surge a dorothy.

acho que por vezes um pouco já retratada, outras não. creio eu que todos os seus defeitos e virtudes, mas não vim falar de mim. (mentira! vim sim. sou uma leonina medrosa, cabeça dura que às vezes não sabe se realmente tem ou não um coração. e não sou por isso. não tem como falar desses que tanto me acompanharam e me ajudaram sem falar da minha própria pessoa.)

pois que seja. leão, homem de lata, espantalho...tão diferentes, tão parecidos, tão únicos.

tantas saudades

discussões interrompidas por chegada do ônibus, por saídas repentinas

tantas cumplicidades

opiniões trocadas

aprendizados

tantos segredos

saudades

saudades

saudades

três anos demoram a passar

e não foram três anos de apenas aulas e presença quase sempre que garantida a noite

foram três anos de mudanças, de amadurecimento

de mais do que noites

de dias e finais de semana reunidos fazendo trabalhos

de tocar violão e cantar no curral

de ir pra sementeira jogar conversa fora.

três anos

três bons e duráveis anos

de uma amizade que não da pra descrever

apenas quem viu, e quem sentiu realmente sabe o que quero dizer.


creio que seja isso.

boa noite

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fórmula do amor?

Queridos amigos, seria impossílvel fazer uma nova postagem sem dizer que esta é uma boa discusão, todos mostraram suas opiniões seja por experiência propria ou pragmatismo. Minha intenção neste post (quero deixar claro) não é concordar nem discordar com o que foi dito mas, deixar aqui a contribuição de um leão covarde!

Esse texto demonstra muito bem o que penso sobre o assunto...


"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara muitas vezes"! Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo). Mas vivi, e ainda vivo!Não passo pela vida… E você também não deveria passar! Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classee vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" pra ser insignificante.
Charles Chaplin

O que quero dizer com isso amigos é que vivam e sejam felizes! Acredito que não exista uma "fórmula do amor" existe sim o medo de amar e ser feliz.

Vivam amigos, sem medo e sem receio de ser feliz!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um mágico sabe usar muito bem a sua capa...


Pra quem não conhece, esses são os "filósofos" que estão debatendo sobre amor. À esquerda, Diego (o homem de lata); à direita Alan (o espantalho). A foto foi tirada por nossa amiga Mércia durante trabalho de geoprocessamento(?) no parque da Sementeira. O dia estava chuvoso, e nós fizemos a mágica de compartilhar uma capa-de-chuva. kkkkkk

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sobre martelos e pregos...

Alan,

Talvez um erro meu seja essa falta de pragmatismo. Mas, fico a pensar: o que vem primeiro? O pragmatismo ou o idealismo? Pra saber se algo funciona na prática é preciso teorizar antes. Ou seja, se faz necessário a abertura do leque de opções através do pensamento.
Não acho que o fato de algo funcionar na prática seja, de fato, o melhor que se deve fazer. Se eu uso um martelo pra fixar um prego numa tábua, não implica dizer que essa ferramenta seja a melhor e a única a executar esse trabalho. É nessa reflexão entre martelos e pregos que eu me perco. No entando, não é um perder-se de não saber o que fazer, é o divagar sobre.
Acho que achar um solução prática e que realmente funcione pode até ser bom; eu teria companhia, teria um relacionamento. Mas, será que essa solução que uso, ao mesmo tempo que me ajuda, também não me limita? Deixar subjugar-se por uma ferramenta não é depender dela pra toda a vida?
O que eu quero dizer é que essa é a resposta à sua experiencia, portanto você se sente livre aplicando-a. O martelo é seu, se ajusta na sua mão. Esse mesmo instrumento de adequaria a mão do outro? Eu prefiro aprender com meus pesares e erros. Mas o que deu a entender é que você havia descoberto a vara mágica e infalível. Se você fala - e pelo que entedi de sua explicação - que o Amor e a Indiferença, assim como a relação de alternância  entre eles, são o resultado de suas experiencias e reflexões, então retiro as críticas antes feitas.
Mais uma vez, tenhamos cuidado ao generalizar...

Diego N.

p.s.: A discussão está boa. Muito boa, aliás.

AMOR e INDIFERENÇA ( explicando )

Mestre !

Acredito que o amor é um sentimento bonito,segundo um grande escritor O DOM SUPREMO,mas a questão tratada no texto,foi um alerta a como muitas vezes conduzimos relacionamentos amorosos.

Gosto de tratar o tema com pragmatismo,nem o exaltando como o citado Camões nem o denegrindo como Schopenhauer,mas tratando-o de forma prática.

Reconheço que cada um é um universo,mas acredito também que muita coisa pode ser aplicada a várias pessoas, a exemplo das duas palavras que citei no texto,e da alternância entre elas.Falando de forma objetiva acredito que é uma das coisas que tem de existir em uma relação,não por encenação,mas por necessidade,exemplificando acredito que uma relação que seja somente baseada em um "polo" não seja tão satisfatória quanto uma que seja baseada na alternânica de "pólos" .

Como visto AMOR e INDIFERENÇA foi só um título,mas o que realmente se propõe o texto é dar um alerta,e uns "toques" de como se conduz uma relação.Posso está errado,mas compartilho esse pensamento por já ter aplicado na prática e obtido sucesso algumas vezes.Minhas palavras não são uma verdade científica,mas é uma verdade empírica, baseada na pouca experiência de vida que tenho,não obtida em experimentos controlados,mas ainda assim testada.

Obrigado mestre pela ótima crítica construtiva,assim podemos através da TESE,DA ANTÍTESE E DA SÍNTESE,trabalharmos para a obtenção de uma conclusão e por consequência a ampliação dos nossos conhecimentos.

Carta a um amigo indignado

Alan,

Podemos fazer da experiência dos outros, aprendizados nossos. Sem dúvida alguma. Erramos, e são esses nossos erros que nos fazem crescer enquanto seres realmente humanos - acredito que esse tipo de categorização encerra muito mais sobre nossa empatia e outras virtudes do que aos caracteres físicos. Ser Humano - assim, sem hifen - é compreender que estamos sujeitos a obstáculos e sofrimentos; que somos falíveis; que somos mortais. Ver um defeito no outro é bom, desde que nos faça refletir. Veja bem, refletir não é julgar. É a questão da trave no olho...
Quando se trata de relacionamentos, então, devemos ter cuidado dobrado. Esse não é um terreno que possamos explorar de forma tão segura; é selva, é pantâno, é também deserto. Tudo isso. Sem fronteiras vísiveis. Existindo ao mesmo tempo. É perigo e beleza. Porque, relaciornar-se envolve duas pessoas que já possuem, cada uma, seus medos e desejos. Quão difícil seria de conciliá-los? Desse modo, prestar-se à tarefa de observador de um relacionamento não é uma tarefa tão fácil. Não vejo como ser diferente. Falo aqui em somente ver o que se passa e tentar aprender com isso. Mas, se mudássemos o foco para o julgar, estaríamos falando de uma análise minuciosa da situação. Penso que, se é difícil descobrir os fatos de somente um indivíduo, o que dirá de dois que se relacionam?! Aqui, 1 mais 1 não seria 2. O 1 mais 1 cairia numa relação caótica,e, portanto, inexata.
O amor, meu amigo, foge de nossa compreensão. É o estar preso por vontade - nas palavras de Camões. Eu não conseguiria entender, como de fato não consigo, os velhos manuais pseudoesotéricos que dizem que signo A gosta de tal coisa, que o signo B gosta de outra coisa; que o signo A beija dessa maneira, e que o B gosta de uma determinada posição; que você deve conquistar o signo C dessa forma, etc. Sem contar ainda todos o livros que lotam as estantes de livrarias, apresentando fórmulas mágicas de como conquistar, como manter o relacionamento, e por aí vai.
Acredito também que a responsabilidade pelo bom relacionamento deve partir dos dois (seja de um casal hetero ou homosexual). E, assim como eu havia falado no início, devemos encarar os parceiros antes como unidade do que como individualidades egóicas. Dar ao homem o papel de direcionador dessa cumplicidade é retirar, por outro lado, a autonomia da mulher. Permita-me dizer que na maioria dos casos é a mulher quem decide os caminhos que o amor percorrerá. Tem sido assim desde os nossos ancestrais. Ao meu ver, há nisso a forma mais preciosa do carinho e compreenssão: uma mulher que cuida é uma mulher que ama. Mas, uma mulher que cuida junto a um parceiro compreensivo é o que vemos de magnífico nesses romances duradouros. Amor é compartilhar, discutir sem ofender, esquecer desejos frívolos e concentrar todas as forças para conquistar a serenidade.
Alternância entre Amor e Indiferença? Não creio nisso. Pra crer é preciso estar sujeito a lógica, e a minha me diz que se pode alternar entre ligado e desligado, mas meu coração, pelo menos, não tem uma chave com essas orientações. Um relacionamento com pitadas de indiferença é, ao meu ver, mais uma máscara que esconde os desejos do corpo. Isso. Justamente isso. Quantos não são os relacionamentos que só envolvem os prazeres do corpo? Sexo? Quantos relações se esbrarram nos obstáculos da vida e por lá perecem? O auge do amor, ou de sua manifestação, se expressa na anulação de um eu egoísta. A dualidade se faz unidade. esse é o ciclo da vida, é o eterno ying-yang que se completam.
Um relacionamento baseado nas virtudes e no amor pode não ser isento de complicações. Isso também não me parece lógico. Mas isso pode ressaltar ainda mais o papel da compreensão e da paciencia.
Não sou um sábio. Não sei porque a mulheres, referidas pelo amigo, reclamam de seu relacionamento. Não tenho fórmulas mágicas ou simpatias para que consigam algo perfeito. No entanto, aconselharia, não só as mulheres, mas aos seus paceiros, que reflitam sobre quais bases são fudamentadas o seu relacionamento. Até que ponto estou agindo por egoísmo? Até que ponto estou pensando no outro? O que me motiva? Será que há um diálogo? Será que há espaço para um? O que me move? Isso é amor?
Tenhamos cuidado, muito cuidado. Não acho prudente revelar-se como solucionador, porque o mundo dá muitas voltas e estamos dentro do ciclo...

Seu amigo, Diego N.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

AMOR e INDIFERENÇA

Resolvi escrever esse texto por causa de minha indignação, com certos homens que não sabem como lidar com uma mulher.
Poxa será que esses caras não aprenderam nada com a vida? Ou será que não viveram mesmo? O fato é que vejo mulheres e mais mulheres reclamarem de seus relacionamentos, da forma patética como seus ficantes/namorados/noivos/esposos as tratam e de como elas se sentem mal. O que mais me idigna é que lidar com uma mulher é fácil, conquistar uma mulher também e no entanto ha homens que acham que se relacionar com o sexo oposto é coisa de outro mundo, que nem Freud explica, ah meus caros! Vão virar homossexuais, e tentem s relacionarem com o mesmo sexo para ver se é mais fácil.
Reconheço que o universo feminino é uma coisa complexa e que não é fácil nem para elas que já estão inseridas nele, imagina para nós, porém acredito que podemos muito bem pegar o "disco voador" do conhecimento e viajar pelo universo feminino, desbravando os cantos mais remotos e passeando pelas galáxias do amor, do desejo, do prazer e por tantas outras que compõem este universo.
Mas, para os homenzinhos criados pela vovó, vou dar uma clareada nas idéias, para que leiam e aprendam como lidar com uma mulher corretamente.
Para que você tenha um relacionamento da melhor qualidade (ou pelo menos faça a sua parte), primeiramente você precisa conhecer duas palavras: AMOR e INDIFERENÇA.Essas duas palavras em constante equilíbrio, trarão uma melhora no relacionamento de vocês . No caso do amor, está imbutido: a atenção, o carinho, o sexo bem feito (se não souber fazer traz a sua mulher que dou um jeito nisso), o diálogo, a compreesão, etc. No caso da indiferença, etá imbutido: tudo o que não tem relação com a sua mulher, ou seja, que tem a ver com sua vida pessoal, e também o tempo que você deve passar sem ela, tempo esse no qual você deve demonstrar pouco ou nenhum interesse pela existência de sua parceira.
Como eu falei anteriormente, a chave para esse padrão, quer dizer, essa falta de padrão seja vantajosa para a relação é a alternância. Essa palavra que vou repetir para ficar mais claro A.L.T.E.R.N.A.N.C.I.A, é o segredo para qualquer relacionamento dar certo. Lembro recentemente de uma amiga que terminou com o namorado. Ao perguntar a ela sobre a causa do término, ela alegou que cansou, e que chegou um tempo que o programa que o casal fazia era ver a novela das oito (que começa as nove) da Globo. Diagnóstico do término: faltou alternância.
Recapitulando, o amor e a indiferença são algumas das palavras mais importantes ao se tratar de relacionamentos amorosos, mas a palavra que uso para dar um xeque-mate na falta de senso de alguns homenzinhos é a alternância. Se eu fosse dar um conselho para que um "cabra da peste" se dar bem no seu relacionamento este seria: alterne bicho!!! Alterne o lugar que você vai com ela, alterne na maneira de beijar, alterne o que vocês comem, alterne as posições sexuais (se não souber esse quesito, dá o meu número de meu telefone para ela), alterne no jeito de tratá-la, enfim alterne do amor para a indiferença, da presença para a ausência, da novela das oito para um bom jantar.
Além das três palavras-chave, existem mais algumas para que você navegue pelo universo feminino sem que sua nave (relacionamento) venha a ser atingido por um asteróide e ser destruída, mas prefiro que cada um aprenda quais são elas na prática, pois, se você não aprender nada na prática vai passar a vida vivendo de maneira literária, ou seja, só adiquirindo conhecimento teórico.