Essa é quente! E Escrevo agora porque as lembranças ainda estão recentes e as expressões dos rostos, as palavras ditas, e os olhares inquietos reverberam em minha mente.
Tivemos quase 1 mês pra fazermos o trabalho. Caramba... tivemos isso tudo? rs. Mas era sempre um
laissez-faire, era sempre a conversa do zen, do fluxo da vida. Era sempre um "eu to trabalhando" (Ivan); "eu to estudando pra carai, véi" (Diego); "rapazzzz.... eu tenho umas paradas aí pra resolver" (Alan); "eu num to com saco pra isso hoje não" (Mércia). Aí a coisa foi indo, indo, indo...
No msn, no dia 02 (detalhe: dia de nossa apresentação e ninguém sabia de nada. mas a gente tinha que apresentar, é óbvio), aconteceu algo mais ou menos assim entre mim e Ivan:
- Ivan, e o nosso trabalho, como está indo?
-Diego, boa pergunta. Alan disse que ia fazer.
- Alan?
- Ele vai fazer o artigo e a apresentação.
- Ivan, eu acho que o trabalho é pra hj.
-Eu tenho certeza que é pra hj.
-Certeza?
-Sim
-Eu tenho outra certeza. Ivan.
-Qual
- A gente tá fissurado (pra não dizer lascado e nem fudido, pq é feio).
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Fique tranquilo.
-Eu estou tranquilo... e meu
toba tbm.
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Duas horas depois.
-Ivan, Alan deu notícias?
-Não
-Podemos nos considerar lascados jah?
-Rapaz, tenha paciencia.
Às 16hs
-Ivan, e aí?
-Nada.
-Ivan, eu vou fazer alguma coisa. A gente tem que explicar alguma coisa. Eu vou misturar tudo com o que a gente aprendeu nesses três anos. Não é possível que depois de três anos de curso a gente não tenha nada pra armengar e fazer uma apresentação de 20 min.
- Beleza.
-Vou escrever, depois eu te mando.
Às 17:45 ( A aula ia começar às 18:30)
-Caraiiiiii, ficou massa. Vou mandar pra vc Ivan.
-Mande porque eu jah to saindo aqui do trabalho.
Já no Cefet, às 19hs, eu entro na sala. Desesperadamente procuro algum rosto familiar: "Cadê Ivan, Mércia, Alan, Erick?". Pra minha sorte, vejo Ivan. Olho pra ele como quem diz: "E aí, cadê Alan com nosso trabalho?". Ele parece um psicólogo nato e desvenda tudo o que eu quero dizer.
- Sente aí (ivan).
E eu penso; agora estamos oficialmente lascados. Eu nunca ouvi uma otícia boa estando sentado, são sempre as ruins.
- Cadê Alan? (Afinal, ele podia estar no banheiro ou em qualquer outro lugar)
-Chegou ainda não.
Nessa altura o primeiro grupo já estava apresentando, e o nosso - detalhe - era o próximo. Me conformei. Pensei comigo mesmo, "o que vale é a luta e não o resultado da guerra. Já estou aqui mesmo. Pelo menos eu tenho a conclusão". Enquanto pensava, acariciava gentilmente as três laudas da conclusão, feitas horas antes, num surto de inspiração e apoio, que creio eu, só poderia ser Divino. Tudo emudece. Só estão ali eu e a conclusão... e meu
toba tbm. Ah sim, e a consciência me reprovando e censurando o tempo todo. Foi quando percebi que Ivan me chamava escandalosamente com as mãos (e eu estava do lado dele). Os gesto com as duas mãos, uma fechada e a outra aberta, num movimento de batida e retirada, significava tudo naquela hora. Ia ser o resumo do dia. Era a sentença. Ivan tinha perdido as esperanças e eu estava tentando tirar a minha de dentro de algum lugar úmido e sombrio. Mércia, como sempre, jazia em outro planeta... talvez um que não tivesse lixo.
Decido ligar pra Alan.
-Alan, onde vc tá com nosso trabalho. (Quase gritando)
- Tô no ônibus.
- O pessoal jah começou a apresentação
-Beleza.
-Venha rápido
-É nenhuma.
- Flw
Penso comigo mesmo "legal.. a gente vai apresentar".
40 minutos depois...
-*&#*#*, Ivan, onde foi que o Alan pegou essa *#*#*# de ônibus?
- Acho que o problema é esse: o jegue. Ele deve estar vindo de jegue.
Subitamente olho para os slides do grupo que está apresentando. Está claro, aliás, bemmm claro: eles estão no último slide. Percebo isso pq o título do slide é "Conclusão".
Olho pra Ivan...
-Ivan, a gente consegue. Vc é bom de conversa, se interessa pelo curso, já sabe muita coisa sobre lixo... a gente pode inventar alguma coisa. é sério.
- Rapazzzzzzzzz....
-Deixe de baitolagem, Ivan.
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
-kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (rir é bom nos momentos de desgraça)
- cri-cri-cri-cri-cri (Mércia)
Alan chegou!!!! (Mércia solta uma afirmãção que valeu por todo o seu silêncio anterior)
-Alan, trouxe o trabalho? (Diego)
-Tá aqui mestre.
-Já disse que vc é foda? (no sentido de ser um cara muito bom no que faz)
- hihihihi (com o tom malicioso que só um cara com espírito de Don Juan sabe fazer)
Mércia é meio que invadida por uma onda de energia fabulsa, e quase mágica:
-A gente faz assim Tem 16 slides. Fica 4 pra cada.
Cada um de nós escolheu a parte que tinha maior afinidadr
alan vai até o
lap top, encaixa o
pen drive, e reproduz a apresentação no
data show (parece aula de inglês, mas isso é tecnologia mesmo).
Olhamos um para outro com a cara de:
"agora é hora do nosso show"
Ivan começa - uma mistura de tecnico e comediante, violeiro/seresteiro e eng. civil - ; Mércia proseggue - uma mistura de ursinho pooh, Bela Adormecida, Alice, Patty Maionese, Mulher Maravilha, com surtos de estudante de Saneamento Ambiental -; depois dela, fala Alan: um mix de Don Juan do Sertão, agronomo, eng. florestal, soldado, poeta, político, comediante, filósofo, humanista... sociólogo, antropólogo e outros ólogos (esse cara é muito bom).. entendem agora pq eu disse que ele é foda? Eu finalizei a nossa apresentação.. mas não posso me descrever aqui. Não sou ousado o suficiente.
Enfim, mais uma noite com aventuras do Leão, do Homem-de-Lata e do Espantalho.. e daquela menina que eu sempre esqueço o nome...
A segunda parte dessa mesma noite (aliás, a parte mais interessante e surpreendente, Ivan ccontará).
See you