segunda-feira, 29 de março de 2010

Na terra de Lá, onde as formigas andam separadas e abelha tem casa com parede, cerca viva e jardim.

Hoje, sinto um gosto de noltalgia a me inundar a boca.
Lá não existem Mércias, Ivans, Alans, Valérias, e, até, as perguntas às vezes incovenientes de Laís. Lá não existem essas coisas. Esse Lá é tão distante daqui, que me dá até vertigem falar dele. Mas o Lá está ai  pra  ser falado, e porque me é dado o direito de escrever, eu escrevo. Com um pouco de revolta, nostalgia e medo, é verdade, mesmo assim eu escrevo.
Lá não existe o ritmo cadenciado e malicioso do discurso de um Alan. Aliás, não existe também o dom religioso do Alan que eu conheço. Religioso tendo como base a etimologia própria de religião - religare -, que é unir o que está separado. Lá, não existe esse personagem fabuloso que une as mais diversas coisas em uma fala só. Esse Lá está em uma séria desvantagem.
Lá não existe também, o tom apassivador e conciliador de um leão ímpar, chamado Ivan. Nada disso. Seria até uma afronta ter alguém tão grande assim. Em Lá, não existe espaço suficiente pra um leão, quem dirá um do tamanho de Ivan. Seria quase um sacrilégio!
Se você olhar os cantos de Lá - cantos é que mais tem - você pode ver alguém revoltado com alguma coisa, uma discussão política aqui e ali, alguém insatisfeito com isso e aquilo. No entanto, em Lá, você não vê atitudes meigas como as de uma Mércia. Eu não consigo enxergar em Lá a graciosidade de uma garça em voo. Lá é um lugar chato. As garotas de Lá não sorriem muito. Até sorriem, mas não é a mesma coisa. Se as garotas se sentem incomodadas, elas não sentam no canto e pedem por carinho; elas gritam e esbavejam. Até a raiva que as garotas de Lá sentem é diferente da raiva de uma nossa Mércia, Laís, Valéria, Diandra... Mas, acima de tudo, em Lá, não existe Mércia, o que já é o bastante para dizer que eu não gosto muito.
 Quando eu saía de Lá, até semestre passado, cansado e irritado, e chegava no meu lar (um lar sem cama, cômodo e essas coisas... um lar que é um lugar que a gente pode retornar quando nos sentimos sozinhos. O lar que é, e é apenas porque nossos amigos estão), as coisas pareciam se transformar. As nossas conversas eram revigorantes. Às vezes, eu chegava, e me batia com alguém que chegou antes da hora. Mas na maior parte das vezes, eu era o lobo solitário uivando pra lua até alguém chegar. Lembrando bem, no início, chegávamos eu e Ivan, depois Alan, e, finalmente, Mércia chegava depois de ter ligado e perguntado onde eu estava.
Com o passar do tempo a sala havia metamorfoseado-se em um quarto ou sala-de-estar: abríamos a porta, soltávamos um boa noite e deixávamos  as coisas ali... e, saíamos. As coisas eram assim, familiares.
Em Lá não existe alguém que chegue depois, porque as pessoas nunca esperam umas pelas outras. Em Lá , cada um tem seu propósito, seu ideal. Em lá não existe um lobo que chega antes, nem um que chegue depois. Em Lá, pra se ter uma idéia de como as coisas andam, até as formigas andam individualmente porque não sabem que trabalhar em conjunto é mais proveitoso. Em Lá as abelhas não produzem mel, porque elas não vivem em colméias, e sim em moradias individuais com parede divisória, cerca e jardim! Afinal, é mais confortável. Pois é, em Lá tudo é meio estranho. As pessoas lá em Lá gostam disso. Eu não. 

5 comentários:

  1. Diego diz: ...Pois é, em Lá tudo é meio estranho. As pessoas lá em Lá gostam disso. Eu não.

    Pois é amigo, vc ainda é esse solitário uivando pra lua até alguém chegar, a sua dor é porque em Lá alguém ainda não chegou.

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  2. Pode até ser... vamos esperar. rs

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  3. É mestre !
    Nessa terra de lá,o apego as amizades são minados pelo apego a um "futuro brilhante",o que muitas vezes provoca uma competição intraespecifíca,ou seja,uma competição dentro da "espécie univérsitários",fazendo pessoas quererem ser melhores que as outras.
    Na terra de cá,de Mestre Neris,Dom CRUZLEONE,Laís Verde,Mércia Dengosa, e tantos outros personagens singulares,vemos o valor que é dado as amizades,e em vez de competições observamos ajuda mútua,solidariedade.

    Viva a terra de cá !
    e VIVA A UNIVERSIDADE ALTERNATIVA !
    VIVA...VIVA...VIVA A UNIVERSIDADE ALTERNATIVA !

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  4. kkkkkkkkkkkkkkkkk. DOM CRUZLEONE foi uma ótima! e o finalzinho tbm... Viva a Universidade Alternativa!!!!!

    Sem dúvida Alan, a Terra de Cá é muito melhor. Um dia eu escrevo sobre ela... se é que uma postagem no blog vai dar conta de tudo.

    ;)

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  5. bom; eu simplesmente adoreii o texto! acho q nao me cabe + nada a falaaar! :D

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